Mais um filme pra embrulhar e jogar no lixo
Novembro 19, 2008 at 3:30 am | In Opinião | Leave a CommentLeonardo Siqueira
Brasil é o país dos macacos, dos ratos, das filas de conga (confira o texto Humor estúpido, sobre o episódio dos Simpsons no Brasil), e agora, do tigre de bengala. Não é brincadeira, não. Trata-se do filme Plastic City, do chinês Yu Lik-Way, feito no Brasil, com atores brasileiros, música brasileira e co-roteiro de Fernando Bonassi.
A produção trata da máfia chinesa e japonesa no Brasil. Na trama, Yuda, um imigrante chinês, busca a prosperidade na Amazônia, mas encontra no contrabando uma atividade muito lucrativa e se torna o chefão da máfia. É lá que aparece o tigre de bengala, em plena selva Amazônica. Não é um filme de produção científica, muito menos um retrato autêntico da capital paulistana. O que é, então? É a visão do próprio autor. Pelo menos foi o que ele disse em entrevista à Folha. Nessa São Paulo de “mentirinha” tem até neve. Que salada, não?
Não é a primeira vez que o Brasil é retratado de maneira estúpida: Turistas, por exemplo, cria um mundo imaginário, ilógico. Terrorzinho frajuto. No meio do mato, um grupo de turistas é sequestrado, outros têm os braços cortados enquanto tentam fugir. E tudo isso no facão. Filmes desse tipo apresentam dois extremos perigosos: apelam para a ignorância e para o preconceito. Em outras palavras, nos faz pensar que no Brasil só têm índio, ou que tudo se resume a festa, carnaval e favela. Ainda bem que Cidade de Plástico do chinês Yu Lik-Way foi rejeitada pelos jornalistas. Assim, a gente têm menos trabalho na hora de ler o jornal. Uma página a menos de deixa de ir para o lixo.
2,5 milhões de crianças navegam na web em julho, Brasil obtém maior número de internautas residenciais
Novembro 19, 2008 at 3:26 am | In Opinião | Leave a CommentFonte: Folha de S. Paulo
O Brasil registrou no mês passado o maior número de internautas residenciais em todo o mundo, segundo divulgou o Ibope na última quarta-feira, 27. Conforme reportagem da Folha, 23,7 milhões de pessoas navegaram pela web e o tempo médio de navegação, o maior já registrado, chegou a 24 horas e 54 minutos por pessoa. O público infantil foi responsável por 10,6% (2,5 milhões) de acessos. Boa parte da criançada aproveitou as férias de julho para navegar pela web.

No mês passado, o país tinha 18,5 milhões de internautas residenciais. O número também é 3,5% maior em relação a junho deste ano. Além disso, o internauta residencial brasileiro ficou contectado 1 hora e 42 minutos a mais, em comparação ao mês de junho, em média.
L.S – A internet, agora, já não é mais um artigo de luxo. O acesso à rede mundial de compudatores popularizou-se e é possível obter acesso a web a partir de qualquer lan house ou biblioteca pública. Apesar disso, muita gente acredita na criatividade da criançada. “Ele mexe em tudo. Você precisa ver como o menino brinca com o computador”, avaliam os pais. Até parece coisa de outro mundo. Mas é preciso ficar de olho na telinha do computador.
Filtrar o conteúdo ainda é um desafio para muitos pais e educadores. Em alguns casos, a exposição ao conteúdo erótico é acidental. Foi o que revelou uma pesquisa feita na Univerdade de New Hampshire, nos Estados Unidos. O objetivo do estudo, era avaliar a exposição ao conteúdo impróprio entre adolescentes de 10 à 17 anos. Cinco anos depois da primeira pesquisa, feita entre 1999 e 2000, os resultados foram surpreendentes: 34% dos internautas mirins acessaram conteúdo impróprio acidentalmente. E mais: 51% do grupo avaliado é composto por meninas.
Clique aqui para ter acesso ao material. Texto em inglês.
Na página 19, estão especificadas todas as informações: sexo, idade, perfil das famílias dos adolescentes entrevistados, entre outras informações.
Para ler o texto em outro idioma, selecione o ícone desejado:![]()
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Do jeito que o povo gosta
Agosto 27, 2008 at 3:43 pm | In Imprensa popular | Leave a CommentTags: Análise do DG, Diário Gaúcho, Do jeito que o povo gosta, Imprensa popular, Jornalismo popular, sensacionalismo
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa e republicado no Observatório da Imprensa e no Observatório da Mídia
Leonardo Siqueira
Um levantamento feito pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC) entre janeiro e novembro de 2006, publicado na edição do dia 5 de fevereiro de 2007 do jornal Meio e Mensagem, revelou um aumento de 6,19% da circulação de jornais em relação a 2005. Segundo dados do IVC, o crescimento dos populares é o principal propulsor do aumento da circulação de títulos no País.
A situação é curiosa. O popular Extra, do Rio de Janeiro, detém a terceira posição no ranking dos jornais mais vendidos, à frente de periódicos de tradição como O Estado de S.Paulo e Zero Hora. O Diário Gaúcho aparece em sétimo e é o segundo entre os populares de maior circulação. Mas a receita dos chamados light paper’s vai além de um texto chamativo ou apelo sensual, estereótipos do jornalismo “espreme que sai sangue” – geralmente associado às publicações de apelo popular. No caso do Diário Gaúcho, objeto da presente análise, a participação do público e o preço acessível (em média 0,50 a 0,75 centavos) justificam um expressivo número de leitores e posiciona o jornal como líder de mercado no segmento dos populares em Porto Alegre e na região sul do País. Em apenas sete anos, o DG abocanhou cerca de um milhão e meio de leitores e superou a liderança histórica do Rio de Janeiro, uma das capitais com maior índice de leitura de jornais em todo o Brasil.
Quais os elementos discursivos de legitimação da fala popular no Diário Gaúcho? De que maneira a participação do leitor reflete o conteúdo produzido pelo jornal? Um periódico para ser popular precisa apelar ao sexo e à informação bizarra? É o que este artigo pretende analisar. Para tanto, foram avaliadas quatorze edições do jornal entre os dias 16 e 23 de agosto e 28 de agosto a 4 de setembro.
Jornalismo e entretenimento – O ex-editor-chefe e atual diretor da Rede Gaúcha, Cyro Martins, destacou alguns elementos da política editorial do DG em entrevista concedida ao programa Argumentos da TV PUC, em 2000. Segundo ele, o leitor potencial do jornal é conservador. “O DG jamais publicará páginas de sangue, aberrações, linguajar chulo e nudez ginecológica”, afirmou. Será? O apelo sensual ganha destaque em boa parte das edições. “Sheron ‘duas caras’” (16/08/2007), “Gêmea má às turras com a boa” (17/08/2007), “Uma pecadora em alta” (18/08/2007), Camila é um brinco (28/08/2007), “Encha os olhos de paz” (03/09/2007), para não citar todas as capas analisadas. Na editoria “Retratos da fama”, por exemplo, há espaço para fofocas e detalhes da vida de celebridades. Em alguns casos, a legenda de algumas fotos é bastante sugestiva: “Nas curvas de Bárbara, o Véio vai estacionar…” (03/09/2007), “O Véio pode ser terapeuta, massagista, médico do coração… Tua Samu… Esse corpinho não nasceu para sofrer” e “Quem mandou ser gostosa?” (04/08/2007).
É bem verdade que os atuais populares adotaram uma política editorial menos agressiva e sensacionalista em comparação às décadas de 50 e 90. Mas a espetacularização da notícia, o apelo sensual e as editorias de entretenimento ainda ajudam a vender uma porção de exemplares. Se não vendem, ao menos, estimulam e divertem o público. Afinal, uma importante parcela da classe B, C e D encontra no jornal, nas palavras cruzadas, na informação bizarra ou realização do sonho de um leitor o lenitivo para a dura rotina de trabalho. Da condução apertada, do “cafezinho” frio na rodoviária.
Uma coisa é divertir o leitor, humanizar a notícia, tendo em vista a tendência do jornalismo na era do entretenimento. Mas apelar para o sexo, mesmo de forma sutil, é um grave erro. Ou não. Para o meio impresso, pode ser uma opção lucrativa a fim de conter a perda de anunciantes e leitores.
O leitor como fonte – Na imprensa popular a esfera do oficialismo é restrita, exclusivamente, a explicação de um problema que atrapalha a comunidade. Ao contrário dos jornais tradicionais ou de referência, o especialista é apenas uma fonte secundária. O cidadão comum participa da discussão de políticas de administração pública, sugere alterações na aplicação dos recursos federais, reivindica melhorias no transporte público, saneamento básico. Enfim, a ótica do problema é vista de baixo para cima. O líder comunitário, o dono do barzinho e o vendedor ambulante dificilmente são entrevistados pelos jornais de referência. Nos periódicos de fala popular, porém, o público das camadas mais baixas da sociedade tem vez. Mas ela se dá em um ambiente de dominação, conforme pontua a jornalista e doutora em Comunicação Márcia Franz Amaral:
“Numa análise mais detalhada, percebemos que permanecem as relações de dominação, e a fala do leitor é performática, não inaugura práticas novas de jornalismo popular. Ao contrário, fideliza os leitores a formas de entretenimento travestidas de jornalismo em que as side stories importam tanto a ponto de apagar o que ocorre nos bastidores onde muito se decide. O lugar de fala do leitor no texto inclui a projeção de sua localização no espaço das diferenças sociais.” (AMARAL, Márcia Franz. A fala popular e a realização do jornalismo).
O perigo dessa verticalização da fala, da ponta inferior para o topo, é atraente, mas revela suas debilidades. Um problema da população local pode ser confundido com o dilema de um leitor. E esse dilema nem sempre apresenta uma real necessidade do grupo que o leitor representa. A linha parece mais tênue na medida em que a fonte comum, ao invés de esclarecer ou solucionar o problema, retira o acontecimento de sua esfera social e a limita ao acontecimento, a notícia anômala, a sua cosmovisão de mundo. As matérias “INSS não alivia nem operada” (17/08/2007), “Éramos seis, agora somos nove” (28/08/2007) reforçam essa idéia.
Talvez esta postura revele um recurso estético, de mercado, haja vista a demanda que esse público requer: histórias humanizadas, a fala do próprio leitor como atribuição de status perante a sociedade em que vive , ou de uma participação política. O perigo está em perverter alguns elementos básicos do jornalismo como relevância e proximidade e trocá-los pelo espetáculo, lucro, entretenimento. E é aí que o jornalismo não se deixa realizar completamente. Quer dizer, até que ponto a participação do público e a demanda de um mercado específico influenciam a cobertura jornalística de um veículo de comunicação? Difícil responder.
Assistencialismo – Além da verticalização da fala popular, a interação com o público não privilegia temas de repercussão nacional. Quando a agenda do Congresso é mencionada a abordagem gira em torno de escândalos, denúncias de corrupção ou movimentos cívicos que envolvam grandes capitais ou mesmo a própria Porto Alegre. Das capas analisadas apenas uma tratou da política a partir de Brasília: “José Dirceu vira réu”. Na mesma capa, o colunista apresenta a seguinte chamada: “Macedo e governo Lula” (28/08/2007).
E mesmo a cobertura da política regional não oportuniza o poder de fala aos representantes do Estado. A fala deles, porém, fica restrita em segundo plano. O assistencialismo e a prestação de serviços são características fortes do DG. Contudo, o serviço que o periódico presta à comunidade pode servir, inclusive, para promover o próprio jornal – já que a fala política é ausente. Assim, o jornal se firma como mediador da relação política: e essa interação tem apenas uma via. Ou seja, o leitor é informado dos abusos e descasos dos governantes, mas a explicação e a interação do Estado com o cidadão é restrita a um espaço pequeno, quase insignificante.
O assistencialismo é freqüentemente utilizado nas edições de aniversário do jornal, segundo constatou Amaral (2004). “Um ano junto dos leitores”, “Vidas que o Diário modificou” (17/04/2001). No segundo ano, as chamadas “Vidas que ficaram melhor”, “Compromisso com a comunidade: o Diário não esqueceu destes e de outros casos” e “Os problemas eram nossos. E, juntos, buscamos a solução” (17/04/2002) legitimam o discurso de dominação e assistencialismo. As vidas transformadas pelo jornal também são destaques nos aniversários de três e quatro anos: “No nosso aniversário uma homenagem aos leitores: 3 anos!”, “Desaparecidos: Diário aliviou drama de 52 famílias este ano” (17/04/2003) e “E neste domingo…a festa é sua, a festa é nossa, é de quem vier!” e “Quatro anos: muito obrigado, leitores!” no aniversário de quatro anos (18/04/2004).
Agenda pública – O DG constrói um discurso focado na cidadania e agenda pública da capital gaúcha. A maior parte das pautas gira em torno da gestão municipal e problemas da população local. As chamadas remetem à fiscalização de obras da prefeitura, sistema municipal de saúde, transportes e segurança. Na capa do dia 16 de agosto o jornal trata, dentre outros temas, da fiscalização das áreas de risco e a falta de pessoal para suprir a inspeção dos locais com perigo de desabamento. Para tanto, usa o título “Muito trabalho, pouco fiscal”. Na capa do dia seguinte, segue matéria no rodapé sobre o transporte público e a preservação de pontos de ônibus da capital: “Paradas de Assis Brasil na miséria”. Mesmo assuntos de repercussão internacional, geralmente esquecidos pela imprensa popular, ganham destaque: “Terremoto no Peru mata mais 500” (17/08/2007).
E os populares, são, sem dúvida alguma, uma importante ferramenta para a ação social. Refletem o interesse da comunidade por assuntos que, normalmente, não receberiam a atenção dos jornais tradicionais. A razão é simples: o buraco na rua, a falta de encanamento na vila do morro e a precariedade de atendimento no postinho não chamam a atenção da imprensa grande, muito menos a fala do cidadão comum. Contudo, a ausência da fonte primária, o apelo sensual e o assistencialimo barato estão longe de inaugurar uma nova prática de jornalismo popular.
Mas o Diário tateia em direção ao rumo certo: o da desmistificação do jornalismo popular calcado no sangue e sexo e o incentivo do agendamento social.
Pai dos populares
Agosto 4, 2008 at 2:58 am | In Imprensa popular | Leave a CommentTags: Última hora, Jornalismo popular, Notícias populares, sensacionalismo
Texto publicado originalmente no Canal da Imprensa
Ovelhas de duas cabeças, bebê-diabo, mulher-macho, loira-fantasma. Ninguém se incomodaria em brincar com essas histórias em um ambiente de Redação. Mas se o conteúdo da informação bizarra é motivo de piada para repórteres e editores, certamente o Notícias Populares seria o ambiente preferido desses jornalistas.
Em maio de 1975 o NP publicou a história de um bebê de São Bernardo do Campo que teria nascido com chifres e rabo. O jornal inventou uma saga para a criança e segurou a fraude por um período de 27 dias. Muitos leitores ligavam para a redação a fim de informar o paradeiro do “diabinho”, outros diziam que o tinham visto. Resultado: depois de um mês de sucesso comercial e fracasso moral, a Redação decidiu mandá-lo de volta para o inferno. Assim, o bebê-diabo desapareceu das páginas do veículo.
Mas quem viu o tablóide nascer, jamais imaginaria o sucesso que ele faria com suas mirabolantes histórias. Ele surgiu em outubro de 1963, fundado pelo jornalista romeno Jean Mellé e o dono da Gazeta Mercantil, Herbert Levy. Mellé ficou preso durante dez anos na Sibéria por ordens de Joseph Stalin, trabalhando nas minas de carvão. Ao ser liberado, desembarcou no Brasil em 1959 sem falar uma palavra em português. Ainda assim, encontrou um amigo romeno que vivia no País e arranjou uma vaga no Última Hora, de Samuel Weiner.
A finalidade do NP era apenas política: um vespertino em oposição ao comunismo. O UH, principal oponente, já iniciara uma jornada pelo mundo dos leitores populares. O seu engajamento político, o apelo ao denuncismo e o espaço reservado para debater a agenda política conferiram ao jornal um discurso político e feição populistas muito fortes.
Sônia Bezerra, citada por Carla Siqueira, em seu último trabalho sobre o UH revela: “o jornal procurava se mostrar não só como uma voz, mas como instrumento efetivo de conquistas sociais” (O jornal Última Hora nas eleições de 1955 – um Estado-Maior intelectual). O veículo chegou a montar uma “tendinha de reclamações” junto aos leitores. Depois de um tempo o periódico acabou adotando uma linha mais sensacionalista. Mas o próprio editor do UH, Samuel Wainer, confessou certa aversão pela editoria de polícia. Contudo, essa mudança tardia não foi suficiente para deter o crescimento do NP.
E o que o tornou famoso foram as saídas “criativas” e nem um pouco éticas de simular falsas matérias e estimular a venda de exemplares por meio delas. Em 1968 Mellé inventou que o astro Roberto Carlos havia desaparecido de Nova Iorque. Um diretor da TV Record tentou contatar o rei, mas sem nenhum resultado. Mellé recebeu essa informação e soltou a manchete: “Desapareceu Roberto Carlos”. No dia seguinte, centenas de pessoas cercaram a redação em busca de notícias sobre o ídolo. No dia seguinte, Mellé publicou: “Acharam Roberto Carlos”. As duas matérias venderam 40 mil exemplares a mais por causa das manchetes.
O método de Mellé consistia em escrever uma porção de títulos e ler para os office-boys da redação. Aquelas que mais agradassem os garotos eram escolhidas. Na década de 80, o tablóide chegava a vender mais de 200 mil exemplares.
Ousadia e fracasso – “San Chupança”, “Dona Celu Lite”, “limpando língua com Bombril”, “Frete pro céu” (morte de um caminhoneiro), “Queijo suíço” (um indivíduo é morto com trinta perfurações de bala), dentre outros títulos, marcaram a política editorial do NP, fundamentada no sensacionalismo, apelo erótico e causas sindicais. Em 1984, por exemplo, o NP esperava que o então presidente Tancredo Neves escapasse da morte, mas ao contrário do que eles esperavam, Tancredo morreu. Com o falecido presidente já no IML, o NP estampou na capa: “Médico quer Tancredo mais gelado” em alusão a tentativa de controlar a hipotermia dele enquanto vivia.
A partir da década de 90 o NP foi um pouco mais longe a ponto de publicar títulos como: “Aumento de merda na poupança”, “Broxa torra pênis na tomada” e “Churrasco de vagina no rodízio do sexo”.
Foi após o lançamento do Agora, em 1999, do grupo Folha, que também dirigia o NP, que o periódico começa a perder prestígio. Além disso, uma série de cortes na verba do veículo dificultava a edição jornalística. A partir de então, os esforços foram concentrados na produção de um jornalismo popular focado apenas no “Agora São Paulo”. O NP parou de circular em janeiro de 2001.
Herança – Os jornais populares de hoje deixaram essa linha anedótica e agressiva há muito tempo. Mas o apelo sensual, a notícia bizarra e o assistencialismo são características fortes dos veículos de apelo popular. No entanto, isso não quer dizer que o jornal deverá focar a pauta conforme o interesse do público, mas do interesse público. Uma coisa é o “mundo da vida humana”, aquilo que nos cerca. Outra é o “mundo do leitor”, seus hábitos e modo de enxergar as coisas.
O jornalismo popular para ser inédito, precisa, antes de tudo, deixar de ver o mundo do leitor e enxergar uma leitura do mundo. Para não ficar tateando no escuro, ou reivindicar o seu legado.
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